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O dia que você nasceu!

  • há 20 minutos
  • 10 min de leitura

O dia que você nasceu!

Luca, esse dia vai ficar e está gravado em mim como uma cicatriz que se tornou a parte do meu corpo de que eu mais gosto! Essa cicatriz é a prova de que você saiu de mim e ficará para sempre, até a gente se encontrar de novo no céu!

No dia em que você nasceu, eu senti e vivi um grande milagre e o maior presente da minha vida! Era uma mistura de:

– E se acontecer o que os médicos estão me falando? Nascer e morrer no mesmo instante?

Até que você esperou os 9 meses e a data em que a cesárea estava marcada. Nesse dia eu acordei às 5h da manhã, assisti ao sol nascer e escrevi tudo o que eu queria que acontecesse. Tenho esse texto até hoje e te coloquei nas mãos de Nossa Senhora. E assim, naquele momento do seu nascimento, eu senti uma alegria inexplicável, a presença dela, uma paz imensa.

Ainda que, quando eu escutei o seu choro, eu pensei: graças a Deus, ele chora! Que alegria! Olhei para seu pai e disse: como ele é? Mas com a intenção de saber se ele tinha alguma deficiência física no corpo, pois os médicos diziam: não podemos ter certeza de nada, vamos ver quando ele nascer, e se nascer.

Mas aí você nasce, chora e abre seus olhinhos. Seu pai te pega no colo e me mostra. Você chora, seu pai, com você em seus braços, te balança e, na hora, você para de chorar e se tranquiliza!

Te conhecer foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. Você ali acabava de realizar o meu maior sonho, que era me tornar mãe!

Além de Nossa Senhora estar do meu lado, tinha uma médica obstetra muito competente e, ainda, uma amiga da escola, também obstetra, que lindamente se ofereceu para estar ao meu lado, o que me trouxe mais apoio e segurança — até hoje ela nem sabe o quanto foi importante ter a presença dela lá conosco. Era ainda fim de pandemia, então havia todas as precauções, e nossos familiares não podiam estar junto.

Você teve que ir para a UTI e eu fui para o quarto. Você estava bem, não precisou de oxigênio, Apgar ótimo, mas sabíamos que, a partir dali, faríamos exames genéticos etc. para entender.

Eu tinha preparado as lembrancinhas, o quarto estava enfeitado para te receber, mas você ficou 1 mês na UTI.

O seu nascimento aumentou a minha fé, o meu amor e a minha admiração pelo seu pai!

Luca, você, com o tamanho de um bebê frágil, cada dia me mostrava ser mais forte. E nascia ali o amor de mãe, o maior amor que eu já senti na vida! Eu faria tudo por você!

Continuávamos a escutar coisas terríveis. Um dia nos falaram que poderia ser como um vegetal, que não saberia quem é e que não seria capaz de sorrir.

Então eu sempre tinha medo de te perder e, ao mesmo tempo, você mostrava um outro lado da vida, aquele que a gente não sabe explicar, mas apenas sente. Era a vida dizendo para ser vivida naquele momento. Cada gesto, carinho, olhar, piscar de olhos calmos e lentos, tentativa de mamar, movimento, banho — era algo mágico que dava forças para seguir em frente, apesar de todas as notícias difíceis que recebíamos.

A sua energia atraía anjos para perto de você e da nossa família, pessoas que sabiam do seu quadro de saúde, mas acreditavam, como eu! Mulheres anjos que encontramos no hospital. A sua fono, Luise, te salvou e me salvou diversas vezes, quando eu não fazia ideia de como fazer para te dar a mamadeira do modo correto para você não broncoaspirar. Ela se ofereceu para, no dia do casamento dos seus pais, estar com você 100% do tempo — e você mamou super bem nesse dia com ela para a gente poder curtir a nossa festa de casamento.

A Luisa, sua primeira fisioterapeuta, ia em casa, fazia mil estímulos, cuidava do seu pulmão e me ensinava como lidar com as suas necessidades motoras.

Sua madrinha, minha irmã, estava lá do nosso lado, fazendo tudo o possível para eu ter forças e cuidar de você como deveria. Seus avós também rezavam muito e, mesmo sem saber como agir, tentavam nos ajudar de alguma forma!

Em alguns dias de sol, saíamos para passear no condomínio e você sorria quando o raio de sol batia em você! Era mais um milagre!

Mais uma vez, Deus te protegendo, e você nos permitiu seguir com os planos de estar 3 meses no Brasil, fazer o nosso casamento e uma grande viagem para morarmos na Itália.

A viagem foi uma loucura, mas a tia Marinna e a tia Gi toparam fazer isso com a gente!

Pegamos COVID na viagem. Você estava mal e eu não conhecia ninguém, não sabia o que fazer. Depois de 1 semana estávamos no hospital, só eu e você.

Sem falar italiano direito, ficamos naquele quarto trancados, parecia uma prisão. Não podíamos receber visitas, e eu estava mal também, mas sem ter a chance de estar mal, pois você também estava e o seu caso era realmente grave. Então ficamos mais uma vez por um fio de vida — e você saiu sem precisar de oxigênio e mamando na mamadeira!

A gente só queria brincar, né, Lu? Mas não importava o lugar, a gente dava um jeito de brincar juntos, você sorrir e eu gargalhar!

Meu filho, esse era só o começo. A gente viveu muitos momentos por um triz e, por isso, todos os outros momentos que tínhamos de folga se tornaram os mais felizes da minha vida. Se a gente tinha 5 minutos de liberdade, ia ao parque e curtia cada vento que batia. E aí você sorria e me lembrava que a vida verdadeira é simples. Um passarinho cantando, e mais um sorriso, e eu em êxtase! Um raio de sol que aparecia na sua janela, e mais um sorriso. Ah, que bênção ter você na minha vida!

O que os médicos falavam me machucava muito, me traumatizava. Mas me fez pensar que eles também não sabiam como lidar com um paciente raro como você. O mundo não está preparado, e então precisávamos fazer ainda mais esforços para conseguir o suporte de que precisávamos.

E, dia após dia, você mostrava que o que está escrito em livros e estatísticas não é necessariamente o que acontece na vida real, na vida rara!

Na vida rara, a gente encontra mais anjos, encontra pessoas queridas e suporte para seguir esse caminho de forma mais leve, ainda que com muitos desafios!

Na vida rara, a gente tinha dias de fazer yoga juntos, dançar, escutar músicas, fazer festa, provar frutas novas, ir à fazendinha e finalmente conhecer os animais dos livros na vida real! Seu último aniversário foi um outro grande sonho realizado, e você estava radiante, eram sorrisos atrás de sorrisos! Você gostava de gente fazendo festa e curtindo a vida, e só de olhar o outro curtindo, você já estava feliz! Mesmo sem andar, comer, você via e vivia a vida no mais simples e essencial: o apreciar real de cada momento, da beleza da natureza, de um dia tranquilo e saudável!

Você tinha apenas 2 anos e me ensinou mais do que eu tinha aprendido em 30. Por isso, hoje é ainda muito difícil não te ter por aqui, por perto, não comemorar esse aniversário de 4 anos com você. Mas eu sei que você, em algum lugar, está comemorando aí no céu, e eu, ainda com muita dificuldade, vou honrar o que você me ensinou.

Obrigada, Deus! Obrigada, meu filho. Obrigada, Luca!


In Italiano:

Il giorno in cui sei nato!

Luca, quel giorno resterà per sempre impresso in me, come una cicatrice che è diventata la parte del mio corpo che amo di più!Quella cicatrice è la prova che sei uscito da me e che rimarrà per sempre, fino a quando ci rincontreremo in cielo.

Il giorno in cui sei nato ho sentito e vissuto un grande miracolo, il dono più grande della mia vita! Era un misto di pensieri:

-E se succede quello che mi stanno dicendo i medici? Nascere e morire nello stesso istante?

E invece hai aspettato tutti i 9 mesi e il giorno fissato per il cesareo. Quel giorno mi sono svegliata alle 5:00 del mattino, ho guardato il sole sorgere e ho scritto tutto ciò che desideravo accadesse. Ho ancora quel

testo oggi, e ti ho messo nelle mani della Madonna. E così, nel momento della tua nascita, ho sentito una gioia inspiegabile, la sua presenza, una pace immensa.

Quando ho sentito il tuo pianto ho pensato: grazie a Dio, piange! Che gioia! Ho guardato tuo padre e gli ho chiesto: com’è? Ma con l’intenzione di sapere se avessi qualche disabilità fisica, perché i medici dicevano: non possiamo essere certi di nulla, vedremo quando nascerà e se nascerà.

Poi sei nato, hai pianto e hai aperto i tuoi occhietti. Tuo padre ti ha preso in braccio e me ti ha mostrato. Piangevi, lui ti cullava tra le braccia e, all’improvviso, ti sei calmato.

Conoscerti è stata la cosa più bella che mi sia mai capitata nella vita. Lì stavi realizzando il mio sogno più grande: diventare mamma!

Oltre alla Madonna accanto a me, c’era un’ostetrica molto competente e anche un’amica di scuola, anche lei ostetrica, che si è offerta con tanto amore di starmi accanto. Questo mi ha dato ancora più sostegno e sicurezza, ancora oggi non sa quanto sia stata importante la sua presenza per noi. Era ancora periodo di pandemia, quindi c’erano tutte le precauzioni e i nostri familiari non potevano stare con noi.

Tu sei andato in terapia intensiva e io sono andata in camera. Stavi bene, non hai avuto bisogno di ossigeno, Apgar ottimo, ma sapevamo che da lì in poi avremmo fatto esami genetici e altro per capire meglio.

Avevo preparato i ricordini, la cameretta era pronta per accoglierti, ma sei rimasto un mese in terapia intensiva.

La tua nascita ha aumentato la mia fede, il mio amore e la mia ammirazione per tuo padre.

Luca, tu, così piccolo e fragile, ogni giorno mi dimostravi di essere fortissimo. E lì nasceva l’amore di mamma, l’amore più grande che io abbia mai provato! Avrei fatto tutto per te!

Continuavamo a sentire cose terribili. Un giorno ci dissero che avresti potuto essere come un vegetale, che non avresti saputo chi sei e che non saresti stato capace di sorridere.

Io avevo sempre paura di perderti e, allo stesso tempo, tu mi mostravi un altro lato della vita, quello che non si può spiegare, ma solo sentire. Era la vita che chiedeva di essere vissuta in quel momento. Ogni gesto, carezza, sguardo, battito lento delle palpebre, tentativo di mangiare, movimento, bagno, era qualcosa di magico che mi dava forza per andare avanti, nonostante tutte le notizie difficili che ricevevamo.

La tua energia attirava angeli vicino a te e alla nostra famiglia. Persone che conoscevano la tua condizione, ma credevano come me! Donne angelo che abbiamo incontrato in ospedale. La tua logopedista, Luise, ti ha salvato e mi ha salvata tante volte, quando non avevo idea di come darti il biberon nel modo corretto per evitare che aspirassi il latte nei bronchi. Si è offerta, il giorno del nostro matrimonio, di stare con te al 100% del tempo, e quel giorno hai mangiato benissimo con lei, così noi abbiamo potuto vivere la nostra festa serenamente.

Luisa, la tua prima fisioterapista, veniva a casa, faceva mille stimolazioni, si prendeva cura dei tuoi polmoni e mi insegnava come gestire le tue necessità motorie.

La tua madrina, mia sorella, era sempre al nostro fianco, facendo tutto il possibile perché io avessi forza e potessi prendermi cura di te come meritavi. Anche i tuoi nonni pregavano tanto e, pur non sapendo sempre come agire, cercavano di aiutarci in ogni modo.

Nei giorni di sole uscivamo a fare una passeggiata nel condominio e tu sorridevi quando un raggio di sole ti toccava il viso. Era un altro miracolo!

Ancora una volta Dio ti proteggeva e tu ci hai permesso di portare avanti i nostri piani: tre mesi in Brasile, il nostro matrimonio e poi il grande viaggio per trasferirci in Italia.

Il viaggio è stato una follia, ma zia Marinna e zia Gi hanno accettato di farlo con noi!

Abbiamo preso il COVID durante il viaggio. Tu stavi male e io non conoscevo nessuno, non sapevo cosa fare. Dopo una settimana eravamo in ospedale, solo io e te.

Senza parlare bene l’italiano, siamo rimasti chiusi in quella stanza che sembrava una prigione. Non potevamo ricevere visite. Anch’io stavo male, ma non potevo permettermi di crollare, perché tu stavi peggio e il tuo caso era davvero grave. Ancora una volta eravamo appesi a un filo, e tu sei uscito senza bisogno di ossigeno e bevendo dal biberon!

Noi volevamo solo giocare, vero Lu? Ma non importava il posto: trovavamo sempre un modo per giocare insieme, tu sorridevi e io ridevo di gioia!

Figlio mio, quello era solo l’inizio. Abbiamo vissuto tanti momenti sul filo, e proprio per questo tutti gli altri momenti di respiro sono diventati i più felici della mia vita. Se avevamo cinque minuti di libertà, andavamo al parco e godevamo di ogni soffio di vento. Tu sorridevi e mi ricordavi che la vera vita è semplice. Un uccellino che canta, un altro sorriso, e io in estasi! Un raggio di sole che entrava dalla finestra, un altro sorriso. Che benedizione averti nella mia vita!

Le parole dei medici mi ferivano profondamente, mi hanno traumatizzata. Ma mi hanno anche fatto capire che nemmeno loro sapevano come affrontare un paziente raro come te. Il mondo non è preparato, e per questo dovevamo fare ancora più sforzi per ottenere il supporto necessario.

E giorno dopo giorno, tu dimostravi che ciò che è scritto nei libri e nelle statistiche non è necessariamente ciò che accade nella vita reale, nella vita rara.

Nella vita rara si incontrano più angeli, si incontrano persone preziose e sostegno per percorrere questo cammino in modo più leggero, anche con tante sfide.

Nella vita rara facevamo yoga insieme, ballavamo, ascoltavamo musica, facevamo festa, assaggiavamo frutti nuovi, andavamo alla fattoria didattica per conoscere finalmente gli animali dei libri nella vita reale! Il tuo ultimo compleanno è stato un altro grande sogno realizzato, e tu eri raggiante, sorrisi su sorrisi! Ti piaceva vedere le persone festeggiare e godersi la vita, e solo guardando gli altri felici, tu eri già felice. Anche senza camminare o mangiare da solo, vivevi la vita nella sua essenza più pura: apprezzando ogni momento, la bellezza della natura, un giorno tranquillo e sano.

Avevi solo due anni e mi hai insegnato più di quanto io abbia imparato in trent’anni. Per questo oggi è ancora così difficile non averti qui, non poterti abbracciare, non festeggiare con te i tuoi quattro anni. Ma so che, da qualche parte, stai festeggiando in cielo. E io, anche con tutta questa fatica, onorerò ciò che mi hai insegnato.

Grazie, figlio mio.Grazie, Luca.

 
 
 

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